China vai repor reservas de petróleo apesar de procura ter atingido o pico

China vai repor reservas de petróleo apesar de procura ter atingido o pico

As refinarias estatais chinesas preparam-se para repor as reservas de petróleo utilizadas para conter o impacto da guerra dos Estados Unidos contra o Irão, apesar de a procura chinesa já ter atingido o pico, segundo a Eurasia Group.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Refinaria da China National Petroleum Corporation (CNPC) na província de Liaoning | Foto: Chen Aizhu - Reuters

Num relatório divulgado esta semana, a consultora refere que fontes do setor preveem que as petrolíferas estatais acrescentem cerca de 400 mil barris por dia às suas reservas entre novembro e abril, após terem recorrido às reservas para evitar compras a preços elevados.

No início da guerra, as empresas dispunham de reservas suficientes para reduzir as aquisições, tendo as importações chinesas caído em junho para mínimos de uma década, mesmo sem "orientações governamentais explícitas".

O conflito afetou particularmente a China devido às restrições à navegação no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 45% do petróleo importado pelo país, aumentando a pressão sobre o abastecimento energético.

Segundo a Eurasia Group, Pequim centralizou em abril a gestão das reservas e alargou de um ou dois meses para três a cinco meses o prazo exigido às refinarias para a sua reposição, procurando garantir o abastecimento sem ter de comprar petróleo nos períodos de preços mais elevados.

A consultora distingue estas reservas das empresas da reserva estratégica estatal, equivalente a 120 dias de importações, que, segundo o relatório, permanece "intacta".

Em paralelo, a Eurasia Group considera que a procura de petróleo na China "atingiu o pico" e que nem mesmo um eventual fim da guerra contra o Irão permitirá recuperar a trajetória de consumo anterior ao conflito.

A fragilidade da economia e a rápida eletrificação dos transportes limitam essa recuperação.

Segundo os cálculos da consultora, os veículos elétricos substituíram, no primeiro semestre, um consumo de petróleo equivalente a 6% das importações chinesas de crude.

O relatório aponta ainda a redução do investimento em infraestruturas e a possibilidade de substituir parte das matérias-primas derivadas do petróleo por produtos químicos obtidos a partir do carvão.

Neste contexto, Pequim "dará prioridade à segurança energética em detrimento da eficiência do mercado", através da gestão centralizada das reservas e da diversificação dos fornecedores, sustenta a Eurasia Group.

A guerra alterou também a origem do petróleo importado pela China.

O crude russo representou, em agosto, um recorde de 30% das importações chinesas, enquanto os fornecimentos iranianos caíram para cerca de metade após as sanções norte-americanas de julho.

Para compensar parte desta redução, compradores chineses contrataram 20 carregamentos de petróleo pesado canadiano para novembro e dezembro, mais um terço do que em 2025.

O encerramento de refinarias norte-americanas e o aumento das importações de petróleo venezuelano pelos Estados Unidos libertaram maiores quantidades de crude canadiano para o mercado chinês.

A Venezuela, contudo, ainda não recuperou o papel de fornecedor importante de Pequim.

A prioridade atribuída ao abastecimento interno reflete-se também nas restrições às exportações de gasolina e gasóleo, flexibilizadas em julho e restabelecidas em setembro.

A Eurasia Group considera "improvável" uma proibição total destas vendas, devido ao impacto nos parceiros comerciais asiáticos, mas alerta que a China se tornou um "fornecedor regional pouco fiável".

A consultora prevê que os controlos às exportações continuem a representar um risco enquanto persistirem as perturbações associadas ao conflito no Médio Oriente.

 

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